O que a carteira escolar te faz lembrar?
Ao ouvir a palavra ESCOLA, podemos afirmar que uma grande parte das pessoas logo se remeterá à instituição escolar, com seus prédios e espaços academicamente organizados para que o professor ensine e os alunos aprendam. Afinal tem sido assim desde o século XIX e maioria das instituições escolares ainda funcionam em tais condições, às vezes mais próximas dos séculos passados do que se imagina!
Contudo, tal estrutura física tem sido, nas últimas décadas, modificada, transformada e, por que não, até mesmo abolida. Isso se deve , em grande parte , à intenção de propor modelos escolares mais modernos, que privilegiem a coletividade e o cooperativismo entre os alunos e a maior circulação de informações, o que, sem dúvida, contribuem para a construção do conhecimento por parte dos alunos. Tais inovações são acompanhadas de metodologias chamadas "ativas", ou recebem outros nomes a favor do uso das tecnologias, enfim, intentam demonstrar que são contemporâneas de nossas crianças e adolescentes.
Entretanto, ao ler as contribuições de Maria Montessori, em seu livro "A descoberta da criança - Pedagogia Científica"(1ª edição em 1926, na França), nos deparamos, logo de início, em um capítulo denominado "Considerações críticas", com um interessante estudo comparativo minucioso acerca do objeto que melhor representa a escola: o banco/carteira escolar.
Você, professor e professora, pai e mãe, já parou para analisar a função da carteira escolar?
Sinceramente, eu também não. Utilizei como aluna por pelo menos 20 anos (da 1ª série do Ensino Fundamental ao Mestrado) e convivo com ela há 25 anos enquanto profissional da Educação e, sem dúvidas, ainda não havia analisado e refletido sobre todos seus usos (explícitos e implícitos) dentro da sala de aula.
Já fiz uso de carteiras enfileiradas, individualmente (principalmente nos momentos de avaliação) ou em pares (para atividades em duplas); também já propus que os alunos se organizassem em grupos, tendo o cuidado de levantá-las para que não fizessem muito barulho, o que poderia atrapalhar a turma ao lado; já abolimos seu uso, sentando no chão, no pátio da escola, na quadra e na horta. E devo confessar: as aulas sempre eram mais interessantes neste último modelo!
Maria Montessori nos traz considerações (bem críticas) a esse objeto escolar: a carteira. Seu uso dá início à manutenção da rigidez, do individualismo e da disciplina. Transcende a organização: impõe rigidez. Ultrapassa o caráter de disciplina: impõe submissão.
Quem já não foi interpelado ao sair de seu espaço delimitado pela voz da /do mestre: "Fulano, volte pra sua carteira!" ou "Ainda não achou seu lugar?" se fosse daqueles distraídos, ou ainda: "Vire pra frente!", se tentasse dar uma espiada no colega ou trocar uma ideia. Mas não julguemos a carteira somente por um prisma e não nos desfaçamos delas de uma vez por todas... o que está em jogo é o uso que delas se faz no cotidiano escolar.
Se a carteira servir para disciplinar, prender, moldar, ordenar, classificar, separar (fracos/fortes, sabidinhos/nem tanto), certamente é oriunda de um pensamento tradicional, mesmo numa era tecnológica. Cada aluno sentado em sua carteira com um tablet nas mãos para realizar pesquisas individuais não faz da aula uma inovação. Com os livros didáticos, já era assim.
Ma se as carteiras são passíveis de mudar de posição, formatadas em grupos diversificados; ora usa-se somente as mesas, ora somente as cadeiras, ora são desnecessárias; elas certamente estarão integradas a um movimento maior: a vida criativa e orgânica que acontece em aulas de professores que compreenderam que as crianças necessitam de movimento para aprender; de formatações diferenciadas para que o cérebro potencialize a criatividade... no mundo nada é estático, como queremos que crianças em pleno desenvolvimento tornem-se estátuas em nossa salas de aula? O que está em jogo é a concepção que professores tem sobre a forma como o sujeito aprende: podemos ter pensamentos tradicionais e rígidos, desmotivando as crianças mesmo frente a uma tela de computador; ou elevar a autoestima dos alunos, potencializando suas habilidades e levando-os à aprendizagem significativa diante de uma horta nos fundos da escola.
Ainda sobre carteiras e bancos escolares, devo admitir que é muito interessante observar como os adultos se comportam.
Observando o comportamento de professores nas reuniões pedagógicas ou em Congressos Internacionais, é possível verificar que, sejam carteiras ou bancos almofadados, quando se trata de manter-se muito tempo sentados, nem os professores, adultos, academicamente instituídos em seus cargos, conseguem manter sua concentração por longas horas. E fomos educados para isso. Mas logo queremos levantar, ir ao banheiro, toma ruma água. A reunião está monótona? A palestra cansativa? Nem sempre. Mas com certeza é um pedido de socorro de nosso corpo que precisa de movimento, de alongamento e oxigenar o cérebro.
Mas somos adultos. Então, o que pensar das crianças, em pleno vigor físico, mente aberta a descobertas e potencial criativo para mudar o mundo? Como manter sua concentração por cinco longas horas, sentados em suas carteiras?
Fica a pergunta... O que a carteira escolar te faz lembrar?
Maria Montessori nos traz considerações (bem críticas) a esse objeto escolar: a carteira. Seu uso dá início à manutenção da rigidez, do individualismo e da disciplina. Transcende a organização: impõe rigidez. Ultrapassa o caráter de disciplina: impõe submissão.
Quem já não foi interpelado ao sair de seu espaço delimitado pela voz da /do mestre: "Fulano, volte pra sua carteira!" ou "Ainda não achou seu lugar?" se fosse daqueles distraídos, ou ainda: "Vire pra frente!", se tentasse dar uma espiada no colega ou trocar uma ideia. Mas não julguemos a carteira somente por um prisma e não nos desfaçamos delas de uma vez por todas... o que está em jogo é o uso que delas se faz no cotidiano escolar.
Se a carteira servir para disciplinar, prender, moldar, ordenar, classificar, separar (fracos/fortes, sabidinhos/nem tanto), certamente é oriunda de um pensamento tradicional, mesmo numa era tecnológica. Cada aluno sentado em sua carteira com um tablet nas mãos para realizar pesquisas individuais não faz da aula uma inovação. Com os livros didáticos, já era assim.
Ma se as carteiras são passíveis de mudar de posição, formatadas em grupos diversificados; ora usa-se somente as mesas, ora somente as cadeiras, ora são desnecessárias; elas certamente estarão integradas a um movimento maior: a vida criativa e orgânica que acontece em aulas de professores que compreenderam que as crianças necessitam de movimento para aprender; de formatações diferenciadas para que o cérebro potencialize a criatividade... no mundo nada é estático, como queremos que crianças em pleno desenvolvimento tornem-se estátuas em nossa salas de aula? O que está em jogo é a concepção que professores tem sobre a forma como o sujeito aprende: podemos ter pensamentos tradicionais e rígidos, desmotivando as crianças mesmo frente a uma tela de computador; ou elevar a autoestima dos alunos, potencializando suas habilidades e levando-os à aprendizagem significativa diante de uma horta nos fundos da escola.
Ainda sobre carteiras e bancos escolares, devo admitir que é muito interessante observar como os adultos se comportam.
Observando o comportamento de professores nas reuniões pedagógicas ou em Congressos Internacionais, é possível verificar que, sejam carteiras ou bancos almofadados, quando se trata de manter-se muito tempo sentados, nem os professores, adultos, academicamente instituídos em seus cargos, conseguem manter sua concentração por longas horas. E fomos educados para isso. Mas logo queremos levantar, ir ao banheiro, toma ruma água. A reunião está monótona? A palestra cansativa? Nem sempre. Mas com certeza é um pedido de socorro de nosso corpo que precisa de movimento, de alongamento e oxigenar o cérebro.
Mas somos adultos. Então, o que pensar das crianças, em pleno vigor físico, mente aberta a descobertas e potencial criativo para mudar o mundo? Como manter sua concentração por cinco longas horas, sentados em suas carteiras?
Fica a pergunta... O que a carteira escolar te faz lembrar?

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